quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Continho: Quadra de Reis

Achei no pc. Não tem título. Pode ser algo como "Quadra de Reis"

É, vai ser esse o nome.



Gotas de suor caíam da testa do jogador. As apostas haviam aumentado muito, e de meros conhecidos os quatro se tornaram guerreiros disputando vida e morte, vitória e riqueza. Suas únicas armas eram a astúcia e a paciência. Como sabe qualquer profissional, no pôquer as cartas pouco importam.
Como em todo jogo de pôquer que se vê num filme, uma névoa acinzentada de tabaco pairava sobre os jogadores. Ao lado de cada um, a bebida e o cigarro de escolha. No meio da mesa, um punhado de notas amassadas. Um homem com camisa havaiana olhava ansiosamente para as cinco cartas recém-recebidas. Nada havia na sua mão, além da esperança de um blefe bem sucedido. Olhou para o cara ao seu lado, um jovem vestido casualmente que deu um sorriso cínico quando viu as suas cartas. Quase três horas de jogo, e o havaiano ainda não tinha conseguido nenhuma dica nesse cara. Deu um trago no cigarro barato, e um gole na cerveja. Decidiu não jogar aquela rodada, e guardar o que havia restado do seu dinheiro para uma mão mais propícia. Olhou para o homem do outro lado da mesa. Pelo menos era a outra pessoa a perdedora desse jogo. Mesmo através da espessa névoa ele conseguia ver o suor na cabeça calva. Suas mãos tremiam enquanto ele as esticava para pegar o whisky com gelo, e levá-lo à boca. Ele já tinha um cigarro na boca, e o próximo esperava impacientemente na mão.
Mas à direita pairava o que seria o mais misterioso de todos. Vestido a caráter, com chapéu, paletó preto e camisa roxa, se equilibrando em dois pés da cadeira, um charuto na boca e um whisky puro na mão. Sem nem olhar as cartas, deu a primeira aposta: - Duzentos. O jovem do outro lado da mesa dobrou a aposta. O próximo homem olhava nervosamente as cartas na mão, o punhado de dinheiro na mesa. Enfiou a mão na calça, e tirou um maço de notas enrolado em elástico, dizendo: - Mil. O homem de chapéu pensou, enfiou a mão dentro do paletó e tirou um maço semelhante, colocando-o na mesa. O jovem simplesmente colocou um cartão de crédito na mesa, dizendo: -Se ganhar, ele é seu. Agora, mostre o jogo!
O homem abriu sua mão, revelando um par de dois e uma trinca de ases. –Full house - disse. O jovem olhou surpreso para a mão do oponente. – É um ótimo jogo – disse calmamente – Mas não bate a minha quadra – e mostrou uma quadra de damas. O calvo ficou com uma cara mortificante, e começou a balbuciar. O jovem se inclinou para pegar o dinheiro da mesa, mas foi impedido pelo terceiro jogador. O homem do chapéu disse: - Minha quadra de reis leva – e mostrou sua mão. Foi a vez de o jovem começar a ficar nervoso, e falar incoerentemente. –Mas é impossível! Não, não, não! Você... Não! Você roubou! – e bateu seus punhos na mesa. O homem do chapéu olhou nos olhos do outro, e disse – Não acuse sem provas. Também não me insulte.
- Você roubou sim! E sabe disso! Vou chamar meus amigos aqui pra tirar a verdade de você nem que eu tenha que – sua fala foi cortada pelo movimento rápido do outro, que tirou algo da cintura e a fincou na mesa: uma faca, com cabo preto curvado e uma lâmina reta. Os outros jogadores se sobressaltaram. O jovem se assustou por um momento, mas com o controle recuperado, colocou a mão na cintura, e tirou uma pistola de aço escovado, e a colocou na mesa.
A tensão cresceu até seu ponto crítico. O homem de chapéu acendeu um fósforo para reacender seu charuto, que tinha apagado. Puxou fundo, e assoprou uma fumaça densa para cima.
Aconteceu em um raio. O jovem foi pegar a pistola mas quando ele tinha mirado a arma , o rival já tinha arremessado a faca em sua cabeça, e se jogado ao chão. Ele atirou em vão na parede logo acima do outro, e caiu no chão com sangue saindo do ferimento na testa, a faca enterrada no osso frontal do crânio.
O homem de chapéu levantou, recuperou a postura e tragou o charuto. Os outros jogadores estavam em choque. Foi o havaiano quem conseguiu articular: – Ele está morto?
- Não. Ele só desmaiou com o trauma – disse o homem de chapéu. Abaixou-se, e retirou a sua faca do corpo do outro. –Agora ele não vai morrer de hemorragia também - e cauterizou a ferida com a brasa do charuto.
Retirou um frasco do paletó e deu um gole. –Eu sugiro a vocês dar o fora daqui - disse sem cerimônias. Derramou o conteúdo do frasco no corpo. –As coisas vão ficar um pouquinho quentes – riscou um fósforo e jogou no cadáver, que começou a pegar fogo lentamente. Viu os outros jogadores fugirem, e começou a coletar o dinheiro da mesa. Analisou o cartão de crédito, e jogou-o no homem, que agora já era uma fogueira. O cartão se contorceu sob a ação do fogo, e finalmente desapareceu. Hesitou um pouco, e jogou a ponta do charuto também. Quando o fogo começou a se alastrar pelo quarto, o homem já tinha saído com um ótimo lucro no bolso.
Tirou uma gaita do bolso e tocou um blues.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Meu ingresso do rock in rio chegou! E cerveja no teclado damn!

Tensão. Após gastar o resto das minhas economias no Rock In Rio card, veio o medo de ele não chegar. Como eu iria proceder? Como reaver tão precioso investimento? E, mais importante, como diabos eu iria pro RiR então?
Bom, após semanas de espera, após ver todos os meus amiguinhos recebendo o cartão felizes, após pagar um roubo de frete pro sedex (eu pago frete internacional mais barato, vê se pode?), o infeliz chegou.


A caixa do bichão. Bonita, preta, de um papel cartonado (achei meio fraquinho) escrito "Feliz Natal Rock in Rio", apelo para os que compraram o cartão como presente.


Dentro, um papel bonitinho explicando que tudo que você tem que saber tá no site do Rock in Rio. Hmmm, interessante.


O que veio na caixa: Cartão (muito importante), papelzinho já citado e algo que eu achei bem legal, um pequeno folder com a história do festival, fotos e outras imagens. Bem bacana, e jóia pra mostrar pros amigos.


Detalhe interno do folder. As fotos são boas, e tem uma do maracanã bem impressionante

Poizé, agora é quase oficial, eu vou para o rock in rio.


E quase esqueci, eu derramei cerveja no teclado. Alguém sabe como limpa?

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Ó nóis aqui de novo

Ó nois aqui de novo. Resolvi postar porque o yanky postou no blog dele e eu pensei "porque eu também não posso?". Eu não fico chorando mágoas aqui, então vai uma música do Morphine (que eu tou ouvindo agora, não surpreendentemente)


Sharks patrol this waters.

Um bom nome pra alguma coisa. Ou pra porra nenhuma.
E aqui está uma trovinha que se disfarça de poema


Meu amor foi embora
e ao meu lado, na cama
deixou essa pequena trova:

Doces foram os dias
As noites, rubras.
Mas hoje acordo na chuva.

Vou-me para lugar nenhum
Não por você
Não por ser

Nessa noite cinza
Olho para seu rosto
E vejo um tema:

Saio da sua cama.
Você me deu amores,
Eu lhe deixo poemas.


Todo mundo sabe que poemas são a principal forma de droga do universo.
E também a principal arma de um pequeno grupo aborígene que vivia na costa da Ásia. Os europeus, em toda sua sabedoria da arte de guerrilha deram como presente um livro de poemas de Baudelaire. O pequeno povo prontamente leu os poemas, matou os europeus, fizeram as malas e hoje vivem em um arquipélago na polinésia, felizes da vida.



Ah, por acaso eu tenho um Tumblr, lá eu coloco muita música mesmo. E ocasionais explosões mentais.

O link é esse. Não esse. Esse.

sábado, 25 de setembro de 2010

Assinaz

O portal da morte feito de carvão,
pela planície explodida ergue-se
"Aqueles que entram esses portões
não saem jamais, lembre-se."

Restos ósseos e carniçais
num ritmo macabro dançam
a intolerância da guarda
açoita todos os que ousam

Dentro o hálito lúgubre
e a morosidade fizeram morada
se foges, não existes
desta prisão não escapas

Sendo a morte tão lenta
e a rotina companheira
o sofrimento encarna o tédio
a dor é passageira

os desterrados que entram
assustados com lendas
de torturas inconcebíveis
e mortes contendas

O maior perigo
é a mesmisse abissal
a maior tortura
é o vazio mental

castelo do desespero
fortaleza da dor
prisão infernal
tão peculiar local

acumula tantos nomes
quantos prisioneiros traz
"Aqueles que entram nesses portões
Lembre-se, não saem jamais"
Drunk Batman

I was stalking through the night
when I came to most strange sight
I couldn't believe in what I was seeing
In front of me, drunk batman was singing

He said "she loves me!"
Screamed "she wants me!"
But I couldn't really hear him
'Cause I was far away laughing

Drunk Batman came righ after me
Telling was he was gonna beat me
he made me look like a lazy fellow
Cos he made me bite the dust and his elbow

Batman threw me in the ground
Batman kicked me in the balls
Batman vanished in the shadows
In the night, he left.

I know better than make fun of batman
But I can't forget that weird night
A night that I won't remember for very long
A night when a saw batman get drunk.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Entre Tu e Nós

Quando acordo me olho no espelho
Olheiras negras cobrem-me as vistas
Um cheiro ácido de suor e roupa suja
Um vento frio arrepia-me todo
Eu cato as remelas do meu olho
Me preparo pra mais um dia
Na cama um corpo morto
Na sala, a mesa vazia
Jogo água no rosto, gelada
Traz-me de volta à crua vida
Meu amor já se foi, de novo
Essa novela eu não queria.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Esquizofrenia I

Pô, cabelo é orgânico!

Me causa pânico
Ser um ser químico
metafísico, quântico
estatístico e hipersemântico

Pó, no nariz é químico!

A porra da rua me inunda
A enxurrada me arrasta
Sujeiras secularmente acumuladas
Contaminando o meu habitat

Po...ta na rua é Lucro!

Enquanto isso, no alto do castelo
longe do fedor e do suor
do pecado e da loucura
Deita O Cara. Ele se esbalda

E pede mais um balde de po.....

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